domingo, 7 de junho de 2009

Cesário Verde

Eu hoje estou cruel, fonético, exigente;
Nem posso tolerar os livros mais bizarros.
Incrível! Já fumei três maços de cigarros
E agrado a pouca gente
(…)
E a tísica? Fechada, e com o ferro aceso!
Ignora que a asfixia a combustão das brasas,
Não foge do estendal que lhe humedece as casas,
E fina-se ao desprezo!
Nem pão no armário, ó Deus! Chama por ela a cova.
Esvai-se; e todavia, à tarde, francamente,
Ouço-a cantarolar uma canção plangente
Duma opereta nova!

Nas palavras: "Eu hoje estou cruel, fonético, exigente; Nem posso tolerar os livros mais bizarros. Incrível! Já fumei três maços de cigarros E agrado a pouca gente" o escritor revela uma inquietação, um sentimento de revolta, pois como ele mesmo havia referido naquele dia a sua escrita teria agradado a pouca gente. Cesário Verde mostra-se, de igual modo, incomodado com a situação que presencia, na qual avista uma mulher desvanecendo dia após dia, Cesário fica extremamente apoquentado com a ideia de anteriormente se ter revoltado pelo facto de não conseguir tolerar os livros mais bizarros aquando diante da sua frente se encontrava uma senhora com um grave problema, que comparado a este o seu problema não tinha qualquer sentido.

O realismo de Cesário Verde

Além de ser uma réplica do realismo irónico queirosiano (...) o realismo lírico de Cesário Verde será o seu esforço de autenticidade anti-retoricista, com versos magistrais, salubres e sinceros.

Tal com Eça de Queirós, Cesário Verde é um escritor realista, ambos escrevem com uma nítida limpidez e simplicidade, construindo colectividades irónicas.

Cesário verde é um poeta que não pretende causar emoções aos receptores, pretende sim construir uma escrita pormenorizada, com um retoque claríssimo deixando transparecer tudo aquilo que vê e que de seguida escreve, marcando a sua autenticidade

Os elementos cor e luminosidade estão claramente marcados nos poemas de Cesário, apelando às sensações visuais.

Cesário Verde e Eça de Queirós, são os poetas do real.